Viral nas redes, perfumes árabes viram oportunidade de mercado no Brasil

Os perfumes árabes se consolidaram como um dos principais fenômenos do mercado de beleza no Brasil, impulsionando vendas, buscas online e operações de importação ao longo de 2025 e no início de 2026. O movimento, liderado por consumidores jovens e fortemente influenciado pelas redes sociais, transformou uma tendência digital em um novo vetor de crescimento para o setor.

Dados da Circana mostram que o segmento movimentou cerca de R$ 20 milhões em 2024 e registrou um avanço de 340% nas vendas no primeiro semestre de 2026, refletindo a rápida conversão do interesse online em consumo efetivo. Conteúdos virais em plataformas como TikTok e Instagram ajudaram a impulsionar o apelo desses produtos, especialmente pelas embalagens sofisticadas e pela proposta olfativa diferenciada.
A hashtag #perfumearabe já ultrapassa 86 mil publicações no TikTok. Fragrâncias como Lattafa Fakhar acumulam centenas de milhares de menções, com vídeos que superam 100 mil visualizações. Criadores de conteúdo e consumidores compartilham avaliações de fixação, comparações com perfumes importados tradicionais e experiências de uso, influenciando diretamente a decisão de compra.
Segundo Rodrigo Giraldelli, CEO da China Gate e especialista em importação e exportação, o caso ilustra como tendências culturais se convertem rapidamente em movimentos econômicos. “As redes sociais encurtaram o caminho entre o desejo e o consumo. Quando um produto viraliza, a demanda surge quase instantaneamente, impactando toda a cadeia, da indústria ao comércio exterior”, afirma.
Apesar da associação com o Oriente Médio, o termo “perfume árabe” se refere mais a um estilo olfativo do que à origem geográfica. Giraldelli destaca que hoje a China reúne fábricas qualificadas para produzir fragrâncias desse nicho, desde perfumes autorais até variações inspiradas em marcas internacionais. Nesse modelo, o maior valor agregado muitas vezes está no frasco e na embalagem, mais do que na composição do líquido em si.
A expansão do segmento também impõe desafios regulatórios. Todos os perfumes vendidos no Brasil precisam cumprir as exigências da Anvisa, e o processo de aprovação pode levar de três a seis meses. Segundo o executivo, isso exige planejamento por parte de importadores e varejistas. “Quem compra grandes volumes sem considerar o prazo regulatório corre o risco de ficar com estoque parado quando o pico de demanda passar”, alerta.
Oportunidade no mercado nacional
O cenário se assemelha a outros fenômenos recentes impulsionados pelas redes sociais, como o Labubu, Morango do Amor e Bobbie Goods, nos quais a demanda cresceu rapidamente e recuou com a mesma velocidade. Ainda assim, o avanço dos perfumes árabes já começa a influenciar estratégias de grandes marcas do setor. Empresas como O Boticário e Hinode passaram a incorporar produtos inspirados nesse estilo, reforçando o impacto do consumo digital nas decisões de portfólio e nas estratégias de mercado.
Com crescimento acelerado, forte presença nas redes sociais e reflexos diretos nas importações, os perfumes árabes deixaram de ser apenas uma tendência online e passaram a ocupar espaço relevante na economia da beleza no Brasil.





Deixe um comentário